quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Proclamação

Era isso que eu queria dizer pra ele.

O lado quente do ser
Marina Lima
Composição: Marina Lima / Antônio Cícero

Eu gosto de ser mulher
Sonhar arder de amor
Desde que sou uma menina
De ser feliz ou sofrer
Com quem eu faça calor
Esse querer me ilumina
E eu não quero, amor
Nada de menos
Dispense os jogos desses mais ou menos
Pra que pequenos vícios
Se o amor são fogos que se acendem
Sem artifícios
Eu já quis ser bailarina
São coisas que eu não esqueço
E continuo ainda a sê-las
Minha vida me alucina
É como um filme que faço
Mas faço melhor ainda
Do que as estrelas
Então eu digo, amor
Chegue mais perto
E prove ao certo qual é o meu sabor
Ouça meu peito agora
Venha compor uma trilha sonora
Pra o amor
Eu gosto de ser mulher
Que mostra mais o que sente
O lado quente do ser
E canta mais docemente

Sim, eu sou – como direi? – impetuosa. Não é bem isso. Exagerada. Também não. Porque não é que seja exagero. Naquele exato momento eu poderia mesmo dizer isso. E seria exato. Preciso. Definitivo não. Nem de longe. Penso eu. Entende? Pois é.

Agora mesmo desconfio que o momento já passou um pouco. É assim.

É que eu desconfio que não é ele. Embora eu pense que não se pode saber bem isso. Ou se pode? Eu soube daquela vez. Soube? Ou fui vivendo? Acho que fui vivendo. Todas as vezes fui vivendo. É assim. É assim que é. O amor.

Pois é.

Bebi tanto que perdi cinqüenta reais. Não quero falar sobre isso. E falei. Eu preciso me expor. Ainda que secretamente.

Daí eu disse pra ela não sei se eu sei bem por que. Até desconfio. Mas hoje em dia são tantas coisas. Pode ser essa minha cabecinha privilegiada que pensa, pensa, pensa. Agora fiz umas luzes pra ver se apaga um pouco dentro acendendo fora. Que horror. Mas é. Ou pode ser esse meu corpinho esbéltico que dá, sim, um trabalhão. Ou ainda essa minha solidão aguda, aguda, aguda. O que é?

Passei o óleo trifásico. Ninguém pra dizer cheirosa. Bem baixinho no meu ouvido. Botei um vestido que farfalha. Não sei se farfalhar pressupõe fazer barulho. Ou se pode ser só o movimento. Será que nesse caso tem que ser esvoaça? É. Esse é um vestido esvoaçante. Tipo pra passear num campo bem verdinho. Ele tem flores. O vestido. É suave. E foi um passeio suave. Não quero dizer mais nada. Sobre isso. Eu acho.

É que eu me disponho. À vida. E à paixão.

Bom, talvez ele nem veja mesmo. O iogurte quero dizer. Te contei, né? Trabaio com um oio no texto e otro no iogurte. La mierda la proclamación. Ainda não superei. Nem sei se vou.

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